Entrei naquela pequena salaEntrei naquela pequena sala. As paredes, lisas, mal construídas, já velhas, estavam vestidas com tecidos fortes cor de damasco. Pareciam aveludados. Não cheguei a tocar. Num canto, uma mesa pé de galo sustentava um telefone, ainda de disco, preto, com uma distinta, embora leva, camada de pó… ao lado, um sofá de dois lugares, coberto por uma manta azul escura, quase preta. Cheguei a pensar que era.
O solo era em madeira. Um velho soalho com caixa-de-ar. Rangia a cada passo, dando um ambiente quase tenebroso. O ambiente era piorado pela réplica de um quadro antigo, que me fixava a cada passo. Procurei o interruptor. Liguei-o. Apenas duas das 6 lâmpadas do lustre de vidro acenderam. Deparei-me com um rosto desfocado e pálido. Era uma mulher. Não tinha mais que 35 anos, como eu. O cabelo era claro, a sua pele reflectia a minha cara, de leve, um brisa que corria pela fresta da porta levantava-lhe a ponta da franja que flutuava ao sabor do vento. Fiquei petrificado, ainda hoje não sei se pelo seu aspecto, se por não estar à sua espera.
Estava numa estrada escura, vazia, com tantos buracos que a circulação era mais fácil pela berma. De repente, ao passar num buraco, rebentou um pneu, com um estrondo, apenas abafado pela água. Saí e verifiquei que afinal dois dos pneus tinha sido furados.
Como a chuva pareceu diminuir, abri a porta e avistei no horizonte uma casa. A chaminé fumava. Corri até ela. Estava distante. Ainda olhei para trás e vi o carro, preto, meio de lado… quase a confundir-se com a noite.
Ao chegar à porta, reparei que estava entreaberta. O alpendre, grande, evitava que a chuva lá entrasse. Estranhei. Ao longe um cão uivava à lua. Um cão ou um lobo. Bati. Insisti. Votei a bater. Nada. Com o pé, fiz a porta abrir e espreitei lá para dentro. A porta dava para uma sala, ao fundo uma outra porta. Vi uma mesa pé de galo com um velho telefone. Ainda bati mais três vezes, como não me responderam, resolvi entrar.
Eram seis e pouco da tarde. Tinha uma última reunião nesse dia. Antes de ir para o carro, passei na máquina de café. Tirei um duplo. Sem açúcar. Bebi calmamente até chegar à garagem da empresa. O carro lá estava. Sinceramente já não tinha vontade de ir à reunião. Sabia o que me esperava. Tratava-se de uma campanha de lançamento de uma refrigerante. Era intragável. A empresa e o refrigerante. Mais o refrigerante.
Entrei no carro. Procurei na consola central um CD com alguma música que ajudasse o café a dar alguma energia ao meu já estafado corpo.
A mulher sorriu. Tentei justificar o motivo porque entrei. Que tinha batido muito. Ela ficou calma, apenas sorrindo. Cheguei a pensar que não falava português. Mas falava.
Quando acabei de me justificar, reparei que estava com um roupão de cetim azul muito claro. Estranhamento dei por mim a pensar como ficava bem com aquela sala.
Ela, com a palma da mão levantada para a minha boca, mantendo uma distância segura, disse:
- Shuuuu!! Não se preocupe, reparei que furou o pneu ali à frente… estava a entrar no duche… da janela avsita-se a estrada.
Reparei então nos seus cabelos molhados, a parte de cima do roupão, junto aos ombros, estava ainda molhada.
- Quer usar o telefone, não é?
Finalmente encontrei um CD. Coloquei no leitor. Virei a chave e sai. Lembro-me pensar que chovia muito. Recebi uma chamada de um amigo, um que estava sempre a tentar arranjar-me namoradas. Demorou um pouco mais que o normal. Estava com um problema qualquer, não cheguei a perceber qual. A bateria esgotou. Fiquei incomunicável. Pense como era bom, numa sexta-feira, a caminho de uma reunião chata, com pessoas chatas, ficar sem telefone. Ficar incomunicável por mais dois dias… isso seria o paraíso. Apenas me preocupei porque o meu sócio, que já tinha saído para a reunião, não tinha levado a documentação toda, mas enfim, o projecto era dele. A minha presença era apenas necessária como forma de solidariedade.
Respondi-lhe, um pouco envergonhado, que sim.
- É pena, não funciona. Vim passar cá o fim-de-semana e não trouxe o telemóvel. Nada. Aceita um chá? Vou fazer para mim. Camomila.
Achei piada. Parecia que alguém estava a gozar comigo. Disse que sim. Já agora, deixava passar a chuva. Ainda lhe perguntei se havia algum sítio com telefone. A resposta foi negativa.
- São cerca de 40 quilómetros até ao próximo posto de abastecimento!
O meu sorriso foi desvanecendo. Acho que ela reparou. A única vez que caminhei tanto estava em recruta e não estava a chover. Logo agora ter ficado sem telemóvel. O João vai ter que me pagar um jantar.
Acordei com o despertador. A primeira coisa que me lembrei foi que tinha de telefonar ao João. Queria pagar-lhe um jantar. Assim que possível. Hoje. Amanhã o mais tardar.
Fiz a barba, tomei um duche rápido e vesti-me à pressa. Saí a correr. No elevador, acompanhei até à cave a D. Teresa do 3.ºB. Sempre gostei daquela velha senhora. Ia com o seu cachorro ao colo. Trocamos umas palavras soltas. Entrei no carro e fui para o escritório.
Ela chegou com o chá. Era um bule velhinho, muito simpático. O aroma era excelente. O cheiro da madeira, que queimava lentamente naquela lareira grande no canto da sala, juntava-se ao aroma do chá. Vinha com uns estranhos biscoitos. Pareceram-me caseiros. Senti outro cheiro percorrer a sala. Era um leve perfume.
Trocamos os nomes, o que fazíamos, enfim, as nossas vidas recentes. Ela sentou-se numa poltrona que estava ao lado do sofá. Com o dedo indicador, sem dizer uma palavra, indicou para o sofá. Percebi que era para me sentar. Foi o que fiz. Ela cruzou as pernas, inclinando-se um pouco para a frente descobrindo um pouco do peito. Muito pouco. Demasiado pouco. Mas o suficiente para me obrigar a fixar outro ponto qualquer da sala. Evitando descer até lá. Não foi fácil.
Ela, entre um golo de chá e uma dentada no scone (afinal não eram biscoitos, mas sim scones… estavam bons na mesma), perguntou-me se não queria jantar com ela um cabrito que estava a fazer no forno. Que podia dormir, se quisesse, porque pela manhã, um autocarro, logo às sete e meia, passava por ali. Acho que os cantos dos meus lábios, desobedientes, subiram, senti que fiquei com cara de parvo. Ela corou um pouco. Mas reafirmou a oferta. Eu, que não me estava a apetecer caminhar quarenta quilómetros à chuva (que estava agora mais forte), pareceu-me muito agradável o tal cabrito assado. Mais do que a pizza com uma semana que tinha no frigorífico em casa. Aceitei! Tentei ainda colocar uma cara de fatalidade, mas não consegui esconder o sorriso traquina.
Como apenas sabia cozinhar bifes grelhados e “cozinha” pré-aquecida, ofereci-me para pôr a mesa e preparar o vinho. Ela sorriu. Tomei como sim. A porta ao fundo dava acesso a um longo corredor. No final, passando por mais duas portas, estava a cozinha. Procurei os pratos e o resto, ela ainda me disse que tinha umas garrafitas na cave, era a porta ao lado da cozinha. Depois de preparar a mesa, de forma simples, desci à cave. Era uma pequena cave. Lá estava a garrafeira. Tinha umas vinte garrafas. Procurei um vinho do Douro. Lá estava. Voltei para cima. Ao subir as escadas, reparei que ela cantava, murmurando.
Depois de abrir o vinho, deixei-o perto da lareira, ela chegou. Disse-me que dali a meia hora estávamos a comer. Acenei afirmativamente a cabeça. Ela, reparando na minha roupa molhada, perguntou se eu não queria tomar banho e secar a roupa. Eu disse que já estava a incomodar demasiado.
- Disparate.
Pegou na minha mão e levou-me escada acima (o mistério da segunda porta estava desvendado. Era o acesso a uma escada em caracol. Era de madeira. Rangia a cada passo que dávamos. Descobri um pequeno hall com duas cadeiras (pareciam confortáveis) e outras duas portas. Uma deveria dar para o quarto. Abriu a outra e fez-me entrar na casa de banho. Ainda tinha vapor do seu duche.
- Esteja à vontade!
Disse-lhe que nos podíamos tratar por tu. Afinal, temos a mesma idade e não costumo jantar com desconhecidos. Ela riu-se.
- Está à vontade! Já te trago alguma coisa para vestires.
Não sei porquê, senti uma familiaridade e um conforto nas suas palavras. Parecia que nos conhecíamos desde sempre.
O João chegou atrasado. Mais que o normal. Tínhamos combinado às nove no Twister. Ele apareceu às nove e meia. Chegou como sempre, cheio de problemas por resolver, tinha ainda umas coisas para fazer depois do jantar. Percebi quais eram as coisas.
Estava a passar o chuveiro pelo cabelo, retirando o shampoo, quando ouvi a porta abrir.
- Está aqui algo para vestires.
Ela riu-se e levou a minha roupa, fazendo qualquer comentário sobre a gravata que não percebi bem.
O resguardo do duche era quase transparente. Não tinha reparado. Em cima da bacia estava um roupão turco cor-de-rosa. Percebi o riso. Ela insistiu a noite toda que era salmão, rindo sempre no fim.
O cabrito estava muito bom. O fogão era daqueles a carvão, tão antigo com a casa. Ela mantinha aquela propriedade como a tinha herdado. Tinha sido construída pelos seus bisavôs e tinha sido passada aos seus tios-avôs, que, como não tinham descendência, deixaram à sobrinha-neta favorita e, por acaso, única.
Depois do jantar, passamos novamente ao sofá, desta vez sentou-se ao meu lado. A casa não tinha televisão. Apenas um rádio antigo. Perguntei-lhe se funcionava. Ela levantou-se e ligou. Claramente funcionava. E bem. Ficou uns instantes em frente à lareira, debruçada sobre o rádio, enquanto sintonizava. Quase fiquei engasgado. Via-se nitidamente todo o seu corpo nu. O cetim azul-bebé transformou-se em transparente. Desta vez não consegui desviar o olhar. Ela não reparou. Se reparou, parecia não se importar. Ainda ficou algum tempo até encontrar uma qualquer música. Apenas percebi que era levemente romântica. Já não conseguia ouvir mais nada.
- Gostas desta?
Eu disse que sim. Ela, depois de olhar para os meus olhos, olhou para o espelho que estava em cima do sofá. Viu como estava. Desta vez não corou. Antes pelo contrário. Aproximou-se de mim.
O João tinha trocado de carro. Tinha agora um descapotável. Desde pequeno que me dizia que iria ter um. Foi ontem. Um sonho que realizou. O meu, neste momento, era pagar o ordenado aos meus dez colaboradores. Tinha perdido três contas importantes. O nosso preço era já um pouco alto, principalmente por causa dos últimos investimentos em espaço. Tínhamos aberto uma representação em Madrid, a renda era altíssima e ainda não facturávamos lá o suficiente para os custos. O meu irmão mais velho, também sócio, era o responsável.
Ela perguntou-me:
- Gostas do que vês?
Disse-lhe que sim, embora já sem conseguir ver. Tinha-se afastado da luz.
Aproximou-se de mim, quase a tocar-me. Com a ponta dos seus dedos, desfez o laço do robe de cetim azul. Depois, despiu lentamente. O cetim macio, antes de cair no chão, deslizou pela minha perna. Todos os meus pêlos eriçaram, não sei foi o tecido, se a imagem que surgiu na minha frente.
O João estava excitado de mais. Só falava no carro novo. Queria agradecer-lhe por ter gasto a bateria do meu telemóvel. Mas não dava. Já tinha esquecido o seu problema de sexta-feira. Agora, apenas o carro interessava.
A sala estava quente. Demasiado quente naquele momento. As paredes tinham ficado mais pequenas. Toda aquela sala estava concentrada na distância entre aquela mulher desnudada e o meu roupão cor-de-rosa… ou salmão, naquele momento, só pensava em tirar o peixe…
Foi ela que, ajoelhando-se no meio das minhas pernas, desapertou o cordão e abriu as abas sobre os meus braços, aninhando-se de seguida. Não ouve beijo, não trocamos carícias, apenas ficamos umas horas (ou uns minutos) assim. Tinha acabado de perder toda a noção do tempo. Apenas a chuva que batia na janela acompanhava um esporádico crispar da lenha que nos aquecia… ou que nos arrefecia. O seu corpo estava quente. O meu estava demasiado quente.
Embora já não aguentasse aquela situação, extremamente confortável, mas com demasiada tenção sexual, mas como não estava em casa, deixei que ela liderasse a situação. Foi então, mesmo no último minuto do meu desespero, que senti a sua língua tocar no meu lábio superior. Mordiscou-me depois o inferior. Era a minha deixa. A sua mão esquerda tinha envolvido o meu corpo e acariciava-me ao de leve as costas, com as unhas. Agarrei-a pelas ancas e deixei-a sozinha no sofá, afastei-me, sem nunca descruzar o olhar.
Desdobrei uma manta felpuda que estava dobrada ao lado do sofá. Reparei que tinha um homem a ser caçado por uma leoa… achei o desenho apropriado. Estendi-lhe a mão. Ela, enganchando a ponta dos seus dedos na minha, levantou-se. Deitei-a sobre a manta, mesmo ao lado da lareira. Cobri-a com o meu corpo. Já estávamos os dois demasiado excitados. Foi nesse preciso momento, depois de meia badalada do relógio alto que ficava ao lado da porta, com um pêndulo dourado até ao chão, que entrei nela. Penso que ainda ficamos assim alguns minutos, parados, um dentro do outro. Foi então que ela me virou, ficando em cima de mim. Lentamente as suas ancas começaram a rodopiar. Em movimentos circulares e cada vez mais rápidos. Apenas interrompendo a cada várias voltas para dar uns pequenos saltinhos.
O João, olhando nos meus olhos, percebeu que algo se passava. Parou a descrição do seu novo carro e perguntou-me:
- Ó pá! O que tens? Estás com cara de caso. Estás com cara de palhaço!
Obrigado, disse-lhe com um sorriso de orelha a orelha.
- Convidaste-me para jantar e eu para aqui a falar na porra do meu carro novo. Já te disse que é preto?
Só consegui rir.
- Desculpa, lá estou eu. Tás com cara de caso.
Acordei de manhã, era cedo ainda. Estava sozinho, nu, numa cama de ferro branca. Em frente, uma fotografia a preto e branco, grande. A cama era grande. Quase do tamanho do quarto, que era pequeno. Senti um cheiro de fatias douradas que entrava pela porta e me obrigou a levantar. Desci a escada, vestido apenas com o robe azul que estava aos pés da cama. Virei e na mesa da cozinha estava um prato cheio de fatias, um bule com chá e ela, magnífica, apenas com a minha camisa entreaberta sentada num banco de três pés. Tinha as pernas cruzadas. Aproximei-me e beijei-lhe ao de leve na face.
O João estava realmente interessado naquele meu sorriso parvo. Disse-lhe o que aconteceu, sem pormenores. Apenas que tinha conhecido a mulher da minha vida. Do pneu furado, até ter passado a noite numa casa velha. Não sei se ele acreditou logo. Mas no fim perguntou-me:
- Que coisa. Só tu… E o que aconteceu… Aconteceu alguma coisa. Essa cara…
Chegou a conta. Mesmo a tempo! Disse-lhe que tinha que passar ainda no escritório. Paguei a conta, despedi-me dele e saí:
- Cão! – Disse o João, com um magnífico sorriso trocista, enquanto que afastava da mesa.
O João acompanhava-me nas minhas aventuras desde há muito. Foi meu colega desde sempre, de colega passou a amigo, chegou a seu sócio numa aventura empresarial fugaz. Sempre amigos. Era uma constante na minha vida.
O João era piloto. Tinha abandonado o curso de Direito ainda a meio. Como o pai era piloto da Força Aérea, desde muito novo que pilotava. Foi, pensou eu, uma escolha natural.
Chegamos a morar juntos uns anos, dividíamos uma pequena casa no Bairro Alto, antes de comprarmos casa. Acabamos por ficar a morar na mesma zona. Eu tinha comprado um sótão de um prédio antigo. Tinha apenas uma divisão comum – grande – e uma casa de banho. A cozinha estava inserida na divisão principal. Ele comprou um apartamento enorme, com vista para o Tejo. Tinha sido oferta da Tia Clara. Era uma senhora distinta, já com 80 anos, morava numa casa em Belém. Era a Viscondessa do Regadio. A família dele resultava do “cruzamento” da alta burguesia endinheirada do Estado Novo, com a empobrecida velha nobreza. O título fora atribuído por D. Maria II, já no séc. XIX.
João ligava pouco ao seu passado. Era um homem do presente. Fora educado num Colégio em França até aos 10 anos, já que o Avô, Embaixador em Paris, tinha sido responsável pela educação do filho, enquanto os pais estavam em Africa, ao Serviço do da Pátria e do Estado. O Pai era uma personagem engraçadíssima. Era Major-general. Era também dado à boa vida. O João tinha-lhe herdado isso.
Conheci o João no colégio D. Maria Pia. Fomos desde aí sempre colegas de carteira, de saídas e, mais tarde, na noite. Chegamos a ter um pequeno bar. O negócio até corria bem, mas quando acabei o curso de Direito, tomei duas opções. Abandonar aquela cansativa vida, pouco digna a um jovem advogado. Depois do estágio e do exame à barra, que passei, ainda exerci uns dois anos. Foi aí que tomei a minha segunda resolução. Abandonar as leis. O meu irmão tinha-me aliciado para criar um negócio que achei interessante. Ele era Director de uma agência de publicidade. Estava cansado de trabalhar para os outro, como eu estava cansado de trabalhar para mim, e para clientes que pouco ou nunca me pagavam… fui trabalhar com ele.
Formamos a “PontoCom”. De início não gostei, do nome, depois, acabei por achar que soava bem.
Trabalhávamos maioritariamente com lançamento de produtos, branding e Internet. Chegava. Decidimos alargar para Espanha no dia que o meu irmão aceitou o pedido de casamento da Cármen. Dali até à mudança para a capital do país vizinho foi um salto.
Fiquei um pouco desapontado, mas pensei que seria uma oportunidade que não deveria ser desperdiçada. Afinal, a Cármen era uma designer de talento e a equipa ficava quase formada.
Quando nos despedimos, reparei que não chegamos a trocar o nome, o telefone, nada. Era melhor assim...
Dezembro 2004